Organização patrimonial por meio de empresas holding

A vida dos empresários e dos profissionais com a missão de levar as empresas à frente é formada por desafios.

O primeiro desafio é colocar em pé um sonho. O segundo desafio é fazer o negócio sobreviver e crescer.

E lá se vão quinze, vinte anos. A partir desta etapa os desafios tomam outros contornos e são mais complexos no seu encaminhamento. O principal deles envolve a profissionalização da gestão e a busca pela longevidade do negócio.

Passados os quinze ou vinte anos de intenso trabalho e dedicação, o fundador do negócio e  seus fiéis colaboradores já não são mais jovens impetuosos e desafiadores. Já não tem mais o mesmo vigor, a mesma disposição e os mesmos ideais de outrora. Já não estão mais dispostos a correr tantos riscos como no início. São homens experientes, calejados e pragmáticos em relação aos problemas e às soluções relacionados com a gestão do negócio.

A esta altura da vida, a segunda geração da família já está na fase de decidir seus caminhos profissionais ou está iniciando sua caminhada no negócio da família, o que leva naturalmente os fundadores e pensarem em como garantir uma transição saudável da gestão do negócio aos jovens sucessores e tornar a empresa mais sólida e mais autônoma em seus processo de administração.

É nesta fase da vida das empresas, dos fundadores e dos herdeiros que as melhores práticas de Governança Corporativa contribuem para o processo de profissionalização e consolidação do seu modelo de gestão.

A sucessão nas empresas tem duas grandes vertentes: a sucessão na gestão do negócio e a sucessão patrimonial.

A sucessão na gestão do negócio deve vir acompanhada de regras de preparação de herdeiros e sucessores aos cargos da alta administração que sejam claras, imparciais e que priorizem o interesse do negócio e não de pessoas, grupos ou famílias. Deve ser bem alicerçado, garantindo a adequada formação e acompanhamento ao sucessor indicado, garantindo transparência, serenidade e segurança para a transição. A sucessão deve ser planejada e não uma surpresa.

Na vertente relacionada ao patrimônio, sempre mais suscetível às discussões entre herdeiros ou núcleos familiares, o processo deve ser organizado para evitar que eventuais conflitos entre pessoas ou sócios possa afetar o andamento dos negócios.  Nestes casos a organização da sucessão pode contar com a criação de empresas holding ou de participação, que tem a finalidade de organizar com a antecedência que for necessária a distribuição das participações societárias entre grupos ou famílias controladoras, em especial quando a segunda geração chega na administração e os fundadores se preparam para uma retirada lenta e gradual do dia a dia. Serve ainda para organizar em vida a doação ou a transferência da propriedade, evitando no futuro a abertura de inventários ou gastos com advogados e tributos sobre herança, no que tange às participações societárias.

As empresas holding ou de participação possibilitam agrupar famílias ou grupos de sócios com afinidades nestas sociedades, que tem como finalidade única a organização patrimonial de cada grupo, despersonificando em parte ou no todo a administração do negócio. Isto é, os sócios podem ainda participar da gestão do negócio ou simplesmente nomear administradores profissionais, não herdeiros e definir as políticas e estratégias do negócio e monitorar os resultados.

Para o adequado funcionamento deste modelo, as melhores práticas de Governança Corporativa recomendam a criação de um Conselho Consultivo ou de Administração, órgão por meio do qual os sócios ou acionistas irão definir as estratégias e as políticas do negócio e monitorar as ações dos administradores e os resultados atingidos.

O processo de constituição de empresas holding e a criação de Conselhos Consultivos ou de Administração como ferramentas de profissionalização do modelo de gestão das empresas requer algum tempo, alguma prática e uma boa orientação. Envolve sócios, dirigentes, herdeiros e equipes.

Proporciona mais conhecimento, domínio e segurança para as gerações que se sucedem.

Kleber B. Ziede, Economista e Sócio da KMZ Associados

Sobre kleberziede

Economista, Pós graduado em Planejamento e Gestão , Pós graduado em e Administração Financeira, Especialista em Governança Corporativa, Sócio Sênior da KMZ Associados
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