Orientação Profissional para Jovens Herdeiros de Empresas

Recentemente em uma reunião do Conselho de Administração, onde participo como Conselheiro Externo foi analisado e aprovado o plano de capacitação de executivos. O plano, apresentado pelo Diretor de Desenvolvimento Humano e Inovação, trouxe um ponto interessante e apropriado para empresas de controle familiar. A orientação profissional para os herdeiros da família empresária.

O tema é de extrema relevância, na medida em que não apenas os pais têm dúvidas ou receios na hora de indicar aos filhos a possibilidade de atuarem profissionalmente na empresa, mas principalmente os jovens vivenciam dúvidas e angústias, por estarem inseguros em relação as suas escolhas e, na maioria dos casos, tem receio de externar aos pais sua negativa ou desejo de seguir por outros caminhos distantes do negócio da família.

Nestes momentos, pais e filhos vivem a mesma situação de dúvida e angústia. Nada melhor, portanto, do que buscar uma orientação de profissionais especializados sobre o tema da vocação profissional dos filhos e de como encaminhar a questão do jovem que pode ou pretende adentrar e atuar profissionalmente na empresa da família, ou fora dela.

Não basta que o jovem queira. Ele precisa estar ciente de sua vocação e das atividades com as quais tem mais sinergia, afinidade e satisfação.

Os pais tem o dever de abrir as portas da empresa para que os filhos possam conhecê-la, compreender a sua natureza e sua operação e avaliar se o negócio e a oportunidade profissional que se apresentam são realmente do seu interesse.

A partir desta percepção e, com uma orientação de profissionais especializados, é possível proporcionar aos jovens herdeiros a oportunidade de iniciarem sua atividade profissionalmente na empresa da família, acessando as vagas disponíveis por meio do processo de seleção e das políticas da empresa. Um jovem herdeiro não deve ser jogado de paraquedas na estrutura organizacional da empresa familiar, principalmente se essa empresa for organizada e deter um processo de seleção bem definido e um plano de carreira estruturado. Estes instrumentos e políticas de gestão de pessoas devem ser respeitados e valorizados, em especial por aqueles que já nasceram herdeiros e se tornarão comandantes e executivos no futuro.

A primeira orientação profissional é esta: “Se queres trabalhar no negócio da família, respeite as regras e seja melhor do que a maioria. Faça por merecer e conquistarás legitimidade”.

Kleber B. Ziede, Economista e Sócio da KMZ Associados

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Toda a Família precisa de um Conselho

No comentário anterior, vimos que John Davis muito bem sintetizou as relações existentes entre Família, Propriedade e Gestão nas empresas de caráter familiar, bem como os possíveis conflitos que podem surgir e colocar em risco a continuidade dos negócios e a harmonia familiar.

Pois bem, a Governança Corporativa e os sistemas adotados pelas empresas podem em muito, auxiliar as empresas familiares a prevenir e administrar possíveis conflitos em família e evitar que se estendam ao âmbito da gestão do negócio, por meio da criação e regulação de  conselhos especializadas: Conselhos de Família, Conselhos de Sócios, Conselhos Consultivos ou de Administração.

Questões que envolvem a família, dever ser tratadas em um Conselho de Família e não no âmbito da empresa.  Questões que envolvam a propriedade do negócio são de interesse exclusivo dos sócios e devem ser conduzidos em um Conselho de Sócios. Temas relacionados com a administração do negócio devem ser tratados em um Conselho Consultivo ou de Administração, conforme o porte e natureza societária da empresa.

Não são poucas as responsabilidades do Conselho de Administração em uma empresa. Além de definir as estratégias da companhia, também é sua função fiscalizar a gestão da diretoria executiva e avaliar os resultados do negócio. Por isso mesmo, sua importância é proporcional aos riscos que uma má condução dos trabalhos do Conselho pode trazer à empresa.

Em nossas atividades de avaliação, estruturação e aprimoramento de conselhos, tanto de administração quanto consultivos, temos verificado uma série de falhas que podem levar à sua inoperância. Por exemplo, formar conselhos apenas com integrantes da família de controladores, apenas com membros da diretoria, ou com o propósito de acomodar dirigentes em final de carreira. Também não são raros os casos de conselhos presididos por sócios sem experiência em planejamento e tomada de decisões, sem um plano de trabalho específico, ou o devido foco em decisões estratégicas e monitoramento da gestão dos negócios.

Dúvidas no momento de constituir um conselho surgem, em sua maioria, de empresas de controle familiar de pequeno e médio porte, que acreditam que essa estrutura, bem como a Governança Corporativa em si, são exclusividade de grandes empresas.

Na maioria dos casos organizamos e ajustamos o sistema de Governança ao tamanho da empresa, facilitando assim a introdução das melhores práticas e o desenvolvimento da cultura de Governança Corporativa nessas empresas familiares de menor porte.

A melhor forma para introduzir o modelo e a prática de gestão por meio de conselhos em uma empresa é iniciando por um Conselho Consultivo, a fim de praticar o exercício da tomada estratégica de decisões, compartilhadas e aprimoradas por meio de consenso.  Um Conselho de Administração tem caráter estatutário, portanto  mais formal. Em empresas sem porte para absorver tal estrutura de imediato, o mais indicado em um estágio inicial é a formação de um Conselho Consultivo.

Outro risco ao bom andamento do trabalho dos conselhos são questões familiares mal-resolvidas. Ao longo de duas ou três gerações, uma companhia de médio porte pode ter sua gestão pulverizada em diferentes núcleos familiares. No entanto, muitas vezes nem todos os integrantes das famílias  têm interesse ou competência para seguir envolvidos nas decisões da empresa.

As questões são naturalmente discutidas entre os familiares. É preciso formalizar uma estrutura que trate eventuais divergências familiares em separado da gestão executiva da empresa. Para isso serve o Conselho de Família, que também busca discutir e preservar os valores da família na empresa, desenvolver e preparar herdeiros, planejar a sucessão e definir critérios para a indicação dos membros que devem tomar parte efetiva na administração da empresa, com peso maior para os critérios de competência. Naturalmente, conforme o número de pessoas envolvidas, cada núcleo familiar pode ter seu próprio conselho.

Mesmo em empresas sem caráter familiar, o papel da boa governança é fundamental, pois está relacionado à transparência na relação com investidores, quotistas ou acionistas.

Kleber B. Ziede, Economista – Sócio da KMZ Associados

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De Geração para Geração…

Este é o título do livro que os autores Kelin E. Gersick, John A. Davis, Marion McCollom Hapton e Ivan Lansberg, redigiram sobre como as empresas familiares podem e devem ser organizadas, como o processo de sucessão na sua gestão deve ser conduzido e sobre o importante papel dos consultores externos na viabilização desses processos.

John Davis e seus colegas de estudos  formularam o conhecido modelo dos três círculos,  que representa de forma clara a interelação existente entre a família, a propriedade da empresa e a gestão da empresa, e como a combinação desses três fatores pode gerar conflitos que podem comprometer tanto a harmonia em família quanto a continuidade das empresas familiares.

Outro importante autor John L. Ward aprofundou seus estudos no tema do planejamento sucessório nas empresas familiares e lançou novos olhares sobre os quatro eixos importantes da sucessão nas empresas, a saber: o sucessor, o sucedido a empresa e a família.

Entretanto, para tornar a estrutura e o modelo de gestão das empresas familiares adequado ao seu desenvolvimento e ao processo de sucessão por gerações, mantendo a necessária harmonia em família, surgiram os modelos de Governança Corporativa que, adaptados à realidade das empresas familiares é capaz de produzir soluções eficazes, com alta qualidade e profissionalismo.

Este, em síntese é o método de trabalho que a KMZ Associados vem adotando na implantação de melhores práticas de Governança em empresas familiares, aliando a abordagem produzida nos estudos de John Davis e outros autores, com os modelos de Governança que melhor atendem à realidade das empresas e famílias empresárias.

Muitos são os temas que envolvem o Sistema de Governança em empresas familiares e sobre eles seguiremos comentando e emitindo nossa opinião, buscando disseminá-los e esclarecê-los.

Kleber B. Ziede, Economista e Sócio da KMZ Associados

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Conversando sobre Governança Corporativa em Empresas Familiares

A  Governança Corporativa  é um sistema voltado para a alta administração das empresas,  que vem se disseminado com rapidez entre as empresas brasileiras, em especial as de grande e médio portes.  O tema surgiu nos anos 90, principalmente nos Estados Unidos, a partir da preocupação de alguns acionistas de empresas com os desmandos da diretoria executiva (erros estratégicos e fraudes), com a ineficiência dos conselhos de administração e com as falhas e omissões das empresas de auditoria.

Os princípios básicos de Governança Corporativa na gestão das empresas leva em consideração a transparência nas ações da administração, a prestação de contas sistemática e integral de executivos e controladores, a equidade no tratamento com todas as partes relacionadas e a responsabilidade corporativa.

O tema tem mobilizado não apenas empresários e executivos como também profissionais com atuação em Conselhos de Administração, Conselhos Fiscais e outros órgãos integrantes do Sistema de Governança das empresas, em busca de aprimoramento e de atualização acerca das melhores práticas em todo o mundo.

No Brasil, algumas empresas de consultoria empresarial direcionaram o seu foco de atuação e se especializaram na implementação e aprimoramento de Sistemas de Governança Corporativa em Empresas de caráter e controle familiar, como é o caso da KMZ Associados.

A economia brasileira ainda é muito jovem, se comparada com a de outros países, sendo a maior parte das nossas empresas de caráter familiar (controle familiar) de pequeno e médio porte.  A cultura do empresário brasileiro ainda está em formação, apesar de ter evoluído rapidamente no requisito gestão, o que torna o entendimento e a incorporação de práticas de Governança Corporativa ainda insipiente.

“Por desconhecimento acerca do tema, parte dos empresários acredita que o Sistema de Governança Corporativa é coisa de grandes empresas de capital aberto e não se aplica à sua pequena ou média empresa de controle familiar”.

Com o objetivo de auxiliar na disseminação dos conceitos e das ideias em torno das práticas de Governança em empresas familiares, os sócios, consultores e demais parceiros da KMZ Associados criaram este espaço denominado Núcleo de Governança em Empresas Familiares – KMZ |Núcleo de Governança, onde poderão postar e debater suas experiências e trabalhos realizados na área.

“Empresários e herdeiros de empresas, nos procuram e buscam saber um pouco mais a respeito do trabalho que desenvolvemos e avaliar de que forma podemos auxiliar suas famílias e empresas, seja na implementação de Acordos de Sócios, seja na modelagem de Planejamento Sucessório, dentre outras práticas de Governança Corporativa.  Via de regra se sentem mais confortáveis e seguros em desenvolver trabalhos nessas áreas, quando verificam o depoimento e a experiência de outras empresas, depoimento acerca de suas experiências e do êxito do trabalho implementado. Este espaço, visa contribuir com esses depoimentos e experiências”.

Kleber B. Ziede, Economista e sócio da KMZ Associados.

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